Tour Cabrucas

Situada no nordeste brasileiro, o estado da Bahia é um dos maiores em extensão e abriga em seu território três domínios florestais: a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica. Este agregado de ecossistemas permite uma alta diversidade de aves e muitos endemismos. Na Mata Atlântica da hiléia baiana são encontradas espécies com distribuição no bioma Amazônico e algumas destas formam sub-espécies endêmicas da Mata Atlântica. Já as matas de cipó do Planalto da Conquista são únicas por abrigar seus próprios endemismos e os dos domínios da Caatinga.

Antes de seguir rumo ao sertão da Bahia, o naturalista Wied passa por Ilhéus e relata sobre a decadência da Vila e o retorno dos índios Botocudos à localidade. A dificuldade da sua comitiva em “ter auxílio dos índios” para atravessar o Rio do Engenho ganhou destaque no livro “Viagem ao Brasil entre 1815 e 1817”. O naturalista Wied também esteve na região de Boa Nova em 1817 e foi responsável por grande parte do conhecimento ornitológico da localidade e sobre a etnologia dos índios Camacãs que habitavam a região.

Fazer a Birding Tour Cabrucas é reviver os passos deste ilustre naturalista entre estes importantes centros de endemismos, observando sua ameaçada, rica e diversa avifauna.

O roteiro da Birding Tour Cabrucas resume-se a:

1° dia: chegada em Ilhéus / deslocamento Poções;

Chegaremos pelo Aeroporto Internacional de Ilhéus (IOS), retiraremos o carro modelo SUV na
locadora veicular e faremos uma rápida compra de lanches para a excursão. Em seguida iremos para
Poções, a 270 quilômetros do IOS.

2° dia: Poções (Serra do Arrepio) / Boa Nova (Lajedo)

Nossa primeira parada será nas matas secas do município de Poções, a cerca de 270
quilômetros do Aeroporto Internacional Jorge Amado (IOS), em Ilhéus, onde chegaremos. Nesta pacata
cidade os principais objetivos serão o fruxu-baiano (Neopelma aurifrons), o vira-folhas-cearense (Sclerurus
cearensis), assim como as espécies endêmicas dos domínios da Caatinga, como o bico-virado-da-caatinga
(Megaxenops parnaguae) e o torom-do-nordeste (Hylopezus ochroleucus). Em Poções iniciará nossa busca
pelo ameaçado balança-rabo-canela (Glaucis dohrnii), que ocorre em toda a extensão do nosso roteiro.
A tarde do dia ficará para conhecermos as matas de cipó e caatinga do Lajedo dos beija-flores,
já no município de Boa Nova. Entre a bela paisagem formada por orquídeas e cactos-cabeça-de-frade
(Melocactus sp.) buscaremos mais espécies endêmicas da caatinga, como o bacurauzinho-da-caatinga
(Nyctidromus hirundinaceus), que dorme entre a vegetação do lajedo e o enigmático gravatazeiro
(Rhopornis ardesiacus), endemismo do ecótone entre os domínios da Caatinga e da Mata Atlântica. Além
destes, será possível observarmos algumas espécies de beija-flores que visitam as flores do Melocactus
que se abre apenas ao entardecer.

3° dia: Boa Nova (Parna) ou Jequié/ deslocamento Itacaré

Na manhã deste dia, continuaremos nossa imersão na árida caatinga baiana e mata de
cipó do município de Boa Nova para buscarmos mais representantes restritos a estas formações
florestais. A outra opção é irmos para as matas montanas de Jequié, a 70 km de Poções, em busca da borboletinha-baiana (Phylloscartes beckeri) e do ferreirinho-de-testa-parda (Poecilotriccus fumifrons).

Em seguida começaremos nossa ida para Itacaré, mas pararemos para almoçar no Espaço Beija-flor em Ibirataia, onde começará nossa busca pelo acrobata (Acrobatornis fonsecai).
Em Itacaré estaremos sob a aconchegante e sustentável hospedagem da Pedra do Sabiá, que tem como princípios
estruturais a permacultura, a agricultura orgânica de base familiar e a proteção dos remanescentes
florestais como uma Reserva Privada de Patrimônio Natural (RPPN). Quem nos receberá será seu
idealizador, o sr Hugo, com uma ótima sopa vegetariana feita 100% de alimentos cultivados e preparados
em sua propriedade. Este alimento para o “corpo e alma” nos nutrirá para entrarmos com tudo na densa
e úmida hiléia baiana.

4° dia: Uruçuca e Itacaré (PESC / Capitão)

O primeiro dia da nossa incursão nas matas úmidas do sul da Bahia será entre os mais de 9 mil
hectares do Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC), no município de Uruçuca, onde começa nossa
busca pelos endemismos dos domínios da Mata Atlântica, como o tangará-rajado (Machaeropterus
regulus), a cambada-de-chaves (Tangara brasiliensis), e os ameaçados sabiá-pimenta (Carpornis
melanocephala) e choquinha-de-rabo-cintado (Myrmotherula urosticta). Neste local buscaremos pelo
capitão-de-saíra-amarelo (Attila spadiceus), papa-moscas que possui distribuição amazônica, mas que na
Mata Atlântica possui uma subespécie que é vulnerável a extinção e pode vir a se tornar uma espécie
plena, o A. s. uropigiatus. Nas proximidades desta importante Unidade de Conservação iremos em busca
do endêmico da hiléia baiana, o rabo-branco-de-margarette (Phaethornis margarettae).
A tarde deste dia iremos conhecer a RPPN Rio Capitão, em Itacaré, que conta com uma ótima
passarinhada em suas dependências, inclusive com possibilidades de encontrarmos o bandeirinha
(Discosura longicaudus), o anambé-de-asa-branca (Xipholena atropurpurea) e a jandaia-de-testa-vermelha
(Aratinga auricapillus) que nidifica no local, além de espécies com distribuição nos domínios da Floresta
Amazônica que se isolaram no leste brasileiro, como o bico-assovelado (Ramphocaenus melanurus), o
poiaeiro-de-sobrancelha (Ornithion inerme), os arapaçus bico-de-cunha (Glyphorynchus spirurus),
garganta-amarela (Xiphorhynchus guttatus) e o de bico-branco (Dendroplex picus).

5° dia: Itacaré (Sabiá) e Ilhéus (Provisão) / deslocamento Porto Seguro

Na manhã deste dia a passarinhada será nas dependências da RPPN Pedra do Sabiá, onde
buscaremos pelo endêmico e ameaçado chorozinho-de-boné (Herpsilochmus pileatus), mais espécies
endêmicas da Mata Atlântica e as de distribuição amazônica, como o enigmático cricrió (Lipaugus
vociferans). O cricrió é conhecido entre a cultura das cabrucas como capitão-do-mato, pois o hábito de
cantar sempre que um grande mamífero atravessa seu território acusava a fuga dos escravos que
trabalhavam nas fazendas, alertando os capitães do mato. Após a observação de aves nas dependências da Pedra do Sabiá, sairemos ainda pela manhã para Ilhéus (60 km) e tentaremos novamente o acrobata, caso não tenhamos conseguido vê-lo em Ibirataia.

Nosso almoço será na Fazenda Provisão, em Ilhéus, que nos receberá com uma deliciosa moqueca
baiana e com as ameaçadas tiribas-de-orelha-banca (Pyrrhura leucotis) e dos tagarelas xexéus (Cacicus
cela) que transitam em torno das dependências da “casa grande”. A tarde iremos para nosso próximo destino, Porto Seguro (330 km). Para este deslocamento é imprescindível que comecemos nossa jornada antes das 14 horas da tarde.

6° dia: Santa Cruz Cabrália (Veracel)

Durante todo o dia 2 de abril a observação de aves será realizada nas dependências da RPPN
Estação Veracel, onde realmente começa nossa busca pelo criticamente ameaçado crejoá (Cotinga
maculata), que nesta época fica “menos difícil” de ser detectado por estar se esbaldando das frutificações
do açaí e do murici, abundantes nas dependências da RPPN. Por lá buscaremos pela maritaca-de-barrigaazul (Pionus reichenowi) e a tiriba-grande (Pyrrhura cruentata). Durante a noite dedicaremos nossa
atenção para encontrar o enigmático urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus).

7° dia: Porto Seguro (Parna Pau Brasil)

O último dia da Birding Tour Cabrucas, dia 3, será na exuberante Mata Atlântica do Parque Nacional
do Pau Brasil, em Porto Seguro, onde é comum a presença do aracuã-de-barriga-branca (Ortalis
araucuan) e arapongas (Procnias nudicollis). Nesta Unidade de Conservação iremos conferir o ninho da
harpia (Harpia harpyja) que está ativo. Se dermos sorte, veremos este imponente gavião em cuidado
parental! No Parna existem três mirantes que são muito atrativos para fotografia e observação de aves
que ocorrem no dossel florestal, como o furriel (Caryothraustes canadenses) a cambada-de-chaves
(Tangara brasiliensis) e o saí-beija-flor (Cyanerpes cyaneus).

8° dia (04/04): deslocamento ilhéus / origem

O dia seguinte será o deslocamento para Ilhéus e o retorno para nossas residências, cheios de
espécies novas vividas e histórias para contar.

As espécies destaque da Birding Tour Cabrucas são: socoí-vermelho, saracura-carijó, urubu-rei, beija-flor-vermelho, pica-pau-anão-pintado, piu-piu, formigueiro-do-nordeste, chorozinho-da-caatinga, choca-do-nordeste, choca-barrada-do-nordeste, gravatazeiro, bico-virado-da-caatinga, joão-baiano, torom-do-nordeste, acrobata, vira-folha-cearense, joão-de-cabeça-cinza, ferreirinho-de-testa-parda, golinho, papa-moscas-do-sertão, chauá, tiriba-de-orelha-branca, apuim-de-cauda-amarela, gavião-pombo-grande, pica-pau-anão-de-pintas-amarelas, araçari-de-bico-branco, caburé-miudinho, arapaçu-bico-de-cunha, crejoá, anambé-de-asa-branca choquinha-de-rabo-cintado, ipecuá, chorozinho-de-boné, papa-formiga-pardo, bico-chato-de-cabeça-cinza, catatau, tangará-rajado, fruxu-baiano, cabeça-encarnada e cabeça-branca, capitão-de-saíra-amarelo, tangará-falso e saíra-pérola.

Target species: Least Bittern, Spotted Rail, King Vulture, Ruby-topaz Hummingbird, Spotted Piculet, Stripe-backed Antbird, Caatinga Antwren, Narrow-billed Antwren, Caatinga Antshrike, Silvery-cheeked Antshrike, Slender Antbird, Great Xenops, Bahia Spinetail, Ceara Leaftosser, Pink-legged Graveteiro, Gray-headed Spinetail, Smoky-fronted Tody-Flycatcher, White-throated Seedeater, Lesser Wagtail-Tyrant. Red-browed Parrot, Maroon-faced Parakeet, golden-tailed Parrotlet, mantled Hawk, Golden-spangled Piculet, Black-necked Aracari, Least Pygmy-Owl, Wedge-billed Woodcreeper, Banded Cotinga, White-winged Cotinga, Band-tailed Antwren, Cinereous Antshrike, Bahia Antwren, White-fringed Antwren, Gray-crowned Flycatcher, Thrush-like Wren, Striped Manakin, Wied’s Tyrant Manakin, Red-headed Manakin, White-headed Manakin, Bright-rumped Attila, Blue-backed Manakin, Silver-breasted Tanager.