Sul da Bahia, julho de 2017

Como faço há quatro anos e meio, duas vezes por ano, viajei para o sul da Bahia para executar mais um trabalho técnico como biólogo e ornitólogo. Durante estes anos, tive a oportunidade de conhecer um pouco sobre a natureza e a cultura de Jequié, Boa Nova, Poções, Ilhéus, Uruçuca e Itacaré. E entre as aventuras e desventuras destes anos sob a cultura da cabruca e suas aves, fiz novas amizades, cultivei parcerias e criei laços. Vi muito passarinho também: 377 espécies até o momento! Comi muito cacau e o parazinho era a variedade mais saborosa. Aliás, você sabe o que são as cabrucas?

Cabrucas

Cabrucas com o cacau tipo “parazinho”

O cultivo do cacaueiro sob a densa floresta do sul da Bahia para atender a produção de chocolate recebeu o nome de cabruca, pois era necessário cabrucar, ou limpar, o sub bosque das matas para o plantio das mudas. Este cultivo teve início na cidade de Ilhéus, ainda no século XVIII e durante os mais de duzentos anos, estendeu-se por quase todo o sul da Bahia. A importância da “Costa do Cacau” no Brasil e no mundo, consolida o cacau como principal produto de exportação do estado da Bahia. Porém, por volta de 1990 a “vassoura de bruxa”, uma doença fúngica e fatal que ataca as flores e frutos do cacaueiros, fez reduzir a produção do cacau no sul da Bahia em 2/3, tirando-a do mapa das potências mundiais. Além disto, endividou e levou à fome e falência (alguns ao suicídio!) muitos “coronéis do cacau” e pequenos agricultores. E para cobrir os prejuízos, foi a exuberante mata atlântica da ilhéia baiana quem teve que pagar. Muitas madeiras de lei foram extraídas para atender ao mercado exterior e grandes áreas verdes foram limpas, de vez, para a produção agrícola, infelizmente.

Por outro lado, como medida compensatória pela construção da BA-001, foi criado o Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC), que protege mais de nove mil hectares do importante Corredor Central da Mata Atlântica entre os municípios de Ilhéus, Itacaré e Uruçuca. O PESC possui em seu território raros e ameaçados exemplares botânicos que resistiram ao ciclo do cacau, como é o caso do conduru (Brosimum Rubescens), árvore de madeira nobre que dá nome à Unidade de Conservação (UC).  Os diferentes estágios de sucessão florestal e a riqueza de espécies endêmicas e ameaçadas fazem com que o PESC seja mais um destino de observação de aves da Canindé. As saíras-pérola (Tangara cyanomelas) são figurinha fácil nas bordas do centro de visitantes.

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Saíra-pérola (Tangara cyanomelas)

Em volta desta importante UC existem inúmeras Reservas Privadas de Patrimônio Natural (RPPN), a rede Amigos do PESC, que colaboram com a proteção das florestas e desenvolvem atividades educativas, turísticas e sustentáveis. Uma destas é a RPPN Pedra do Sabiá, que cultiva cacau em sistema de cabruca agroecológica e tem quase toda sua produção alimentar com base familiar e comunitária. Ainda sim, abrigam importantes porções florestais contínuas ao PESC, o que faz conter muitas espécies de aves típicas da ilhéia baiana, como o chorozinho-de-boné (Herpsilochmus pileatus). Portanto, a RPPN Pedra do Sabiá é outro destino de observação de aves da Canindé na Costa do Cacau.

Lago da RPPN Pedra do Sabiá. Fonte: www.pedradosabia.com

Lago da RPPN Pedra do Sabiá. Fonte: www.pedradosabia.com

 

Bico-assovelado (Ramphocaenus melanurus) na RPPN Rio Capitão.

Bico-assovelado (Ramphocaenus melanurus) na RPPN Rio Capitão.

Agora, enfim, começa a viagem da Canindé Birdwatching com o objetivo de cultivar novas parcerias e estabelecer mais destinos de observação de aves. Continuando com a rede de Amigos do PESC, conhecemos a RPPN Rio Capitão, que abriga cerca de 400 hectares entre o PESC e o Rio de Contas, no município de Itacaré. O bico-assovelado (Ramphocaenus melanurus) estava bem ativo entre as densas bordas de mata da reserva, e preenchia o fundo musical da natureza ao redor.

Casal de beneditos-de-testa-amarela competindo com jandaia-de-testa-vermelha por oco na palmeira

Casal de beneditos-de-testa-amarela competindo com jandaia-de-testa-vermelha por oco na palmeira

Bastaram poucas horas pela estrada principal entre a portaria e a sede da RPPN (em passos de passarinheiro, é claro) para que 73 espécies, dentre elas o bandeirinha (Discosura longicaudus), mostrassem que aquele lugar é especial e possui um grande potencial para a observação de aves! E entre os jardins da sede da Fazenda Rio Capitão, um casal de beneditos-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons) competiam com jandaias-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus) pelos ocos das palmeiras mortas.

Bandeirinha (Discosura longicaudus)

Bandeirinha (Discosura longicaudus)

Como se já não bastasse a constatação de mais um local de ocorrência deste beija-flor especial, ao conversarmos com o proprietário da RPPN e conseguirmos o aceite de parceria com a Canindé, fomos surpreendidos por um bando de tiribas-grande (Pyrrhura cruentata) que “cortaram a conversa” por alguns instantes!

 

Ovo recém eclodido de mutum-de-bico-vermelho

Ovo recém eclodido de mutum-de-bico-vermelho

Pode ficar melhor? Pode! Com o desenvolver da conversa, o caseiro da reserva nos trouxe um ovo eclodido de um mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii), encontrado há poucos dias em uma das trilhas da reserva!!!!!!!  Portanto, apresentamos mais um destino da Canindé Birdwatching na Costa do Cacau: a RPPN Rio Capitão.

Deixamos as cabrucas da Costa do Cacau e seguimos rumo às cidade de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, na Costa do Descobrimento, onde fui acolhido pelo saudoso amigo de faculdade André Lima. – gratidão, irmão! A Costa do Descobrimento é considerada pela UNESCO uma área de grande interesse para a humanidade por conter diferentes atributos de valor universal excepcional, como a representatividade cultural e os habitats naturais para conservação in situ da diversidade biológica. Esta região é um importante centro de endemismos da Mata Atlântica e abriga muitas espécies ameaçadas de extinção, o que a faz das Unidades de Conservação da Costa do Descobrimento um dos Corredores de Biodiversidade do Brasil: o Corredor Central da Mata Atlântica.  Como já deve ser de conhecimento dos leitores, o amigo de profissão Luciano Lima, junto a Conservation Inernational e as UC Parna do Pau Brasil as RPPN Estação Veracel, Rio do Brasil e o Refúgio da Vida Silvestre Rio dos Frades, estão executando um belo trabalho preparando as Unidades de Conservação e a comunidade local para a observação de aves.  O lugar é tão mágico, que foi um dos destinos da expedição Tesouros do Brasil, enredado pelos amigos ornitólogos Caio Brito e Tati Pongliuppi, que divulga a observação de aves no Brasil em documentários que contam a aventura desta dupla em busca de aves raras e ameaçadas, propagando educação ambiental sobre como protegê-las à partir de uma relação harmônica com a natureza.

Mirante "ai, que lindo!" e o amigo André Lima

Mirante “ai, que lindo!”, em Santa Cruz Cabrália, e o amigo André Lima

Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro, Trancoso, Arraial d’Ajuda dispensam comentários que tentem descrever as belezas cênicas da região. Qualquer ser humano se encanta com o lugar e quer morar lá. Foi o que os povos indígenas fizeram há mais de três mil anos e os portugueses há pouco mais de quinhentos. Esta sucessão de povos por meio do processo colonizatório não me faz à vontade de aceitar o nome Costa do “Descobrimento”, no sentido que o Brasil foi descoberto por acaso, como verossímil. Os índios Tupinambás (ou Tamoios), Botocudos (ou Aimorés) e Pataxós já habitavam a região. Só após a assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494 (não a aprovação, que foi em 1506) ,  que o experiente navegador português Duarte Pacheco Pereira chegou em solo brasileiro, em 1498, onde hoje é o estado do Maranhão. Depois disto, não por acaso, que em 1500, Cabral e sua esquadra aportam em solo brasileiro com a intenção de consagrar o território à leste de Tordesilhas como colônia portuguesa. As duas verdades tem pesos diferentes na história do Brasil e a enredada pelo descobrimento ao acaso é, sem dúvidas, a mais difundida. Bem, prefiro seguir as boas vibrações do Passarinhando pelo Brasil e ressignificar o termo “Descobrimento” (como a observação de aves no Brasil fez com o “passarinhar”, que era o nome dado ao ato de caçar pássaros). Para um observador da natureza ad libitum, o “descobrimento” de novos lugares, culturas e aves é desbravar mais uma parte de si mesmo.

Dixiphia-pipra_Rio-Capitão_24-07-2017-3Nosso primeiro destino para a visita técnica foi a RPPN Estação Veracel, um dos locais mais procurados para observar, na Mata Atlântica, o ameaçado endemismo do leste brasileiro, o crejoá (Cotinga maculata) e o imponente gavião-real (Harpia harpyja).  Como eu não havia “vivido” estas duas aves, tampouco a RPPN, segui a práxis de reconhecer o local e buscar os possíveis atrativos para as duas espécies: os seus alimentos. Encontrei apenas uma árvore de murici com poucos frutos, alimento do crejoá, e um bando de macacos-prego-de-crista (Sapajus robustus), primata endêmico da Mata Atlântica costeira entre o Rio Doce e Jequitinhonha, ameaçado de extinção e potencial presa do gavião-real. O encontro com o crejoá e harpia terão que ficar para uma próxima, mas tive uma nova vivência pelas matas da Veracel: a mussununga. Este ambiente de nome peculiar é uma formação florestal tipo savânica (como restingas), de solo muito arenoso, encontrada entre o Espírito Santo e sul da Bahia. Este ambiente me foi indicado pela porta voz da RPPN, a Priscilla, a qual me atendeu hiper bem e pontuou as condições para receber a Canindé, com seus amigos e clientes. As 73 espécies observadas nesta visita técnica, incluindo a chorona-cinza (Laniocera hypopyrra), a maitaca-de-barriga-azul (Pionus reichenowi) e o chauá (Amazona rhodocorytha), aliadas a ótima estrutura e beleza cênica local fazem da RPPN Estação Veracel mais um destino de observação de aves da Canindé!

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Mussununga na Estação Veracel

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Macaco-prego-de-crista (Sapajus robustus)

 

Finalizando a proveitosa estadia no sul da Bahia, fiz a visita técnica em um dos locais mais fantásticos que eu já pude observar aves até o momento: o Parna do Pau Brasil. Após o contato com o Fábio, chefe da UC, e ser muito bem recebido e acolhido pelo guarda-parque Léo, fomos “rodar” pelo parque e assentamento vizinho. O nosso percurso, sob muita chuva, tiveram como paradas os atrativos mais importantes.

Mirante do Pau Brasil

Mirante do Pau Brasil

Dentre os muitos pontos relevantes que tive a oportunidade de conhecer, os Mirantes do Pau Brasil e do Maracanã são dignos de destaque em itálico, sublinhado, em negrito, caixa alta e realçado! Nestes observatórios, em pouco mais de uma hora sob chuva intermitente, eu e o Léo observamos seis espécies endêmicas da Mata Atlântica e ameaçadas de extinção!

Enquanto bandos de tiriba-grande voavam e arapongas (Procnias nudicolis) cantavam no vale em frente ao mirante do Pau Brasil, o balança-rabo-canela (Glaucis dohrnii) transitava na mata emitindo seu piado clássico. No mirante do Maracanã, um casal de chauás, e um crejoá em bando misto com anambés-de-asa-branca (Xipholena atropurpurea) se mostravam para nós. O momento de ver o crejoá chegou mais rápido do que eu imaginava… Muita emoção junta!

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Anambé-de-asa-branca (Xipholena atropurpurea)

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Crejoá (Cotinga maculata) em bando misto com duas fêmeas de anambé-de-asa-branca

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Tiriba-grande (Pyrrhura cruentata)

Se você quer saber se seu coração está em plena forma, não vá ao médico: vá ao Parna do Pau Brasil e faça o teste: se você não tiver um ataque fulminante ao ver tanta espécie endêmica e ameaçada, teu coração está ok. E o tanto de felicidade que você terá em ver as raridades e belezas da Mata Atlântica do sul da Bahia, vai te rejuvenescer uns bons anos, pois o lugar é incrível! Mas leve água, pois vai precisar se hidratar após chorar de felicidade. Experiência própria! Destino mais que recomendado e oferecido pela Canindé, o Parna do Pau Brasil.

Gostaram? A Canindé Birdwatching está planejando para março de 2018 a Birding Tour Sul da Bahia, que percorrerá durante oito dias o Planalto da Conquista (Boa Nova e Poções), a Costa do Cacau (PESC, RPPN Rio Capitão e RPPN Pedra do Sabiá) e a Costa do Descobrimento (RPPN Estação Veracel e Parna do Pau Brasil), em busca das raridades, cultura e emoções deste importante corredor de biodiversidade!

Em outubro a Canindé Birdwatching estará no sul da Bahia mostrando suas aves para um grupo de três conterrâneos Fluminenses em outro roteiro, programado com tanta atenção quanto este! Cinco dias intensos de observação de aves entre o Planalto da Conquista e a ilhéia baiana. Saibam mais sobre a Birding Tour Cabrucas aqui!

Venham observar mais que aves com a Canindé Birdwatching!

Chamada para o Birdwatching no MoNa das ilhas Cagarras, 5 de Agosto de 2017

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Estão abertas as inscrições para a próxima saída offshore da Canindé Birdwatching ao Monumento Natural (MoNa) das ilhas Cagarras, no município do Rio de Janeiro, RJ, tem previsão para acontecer no dia 05/08/2017.

O Monumento Natural (MoNa) das Ilhas Cagarras é uma unidade de conservação de proteção integral (Lei 12.229/10), situada à 5 km da orla da praia de Ipanema, no município do Rio de Janeiro. O MoNa é composto pelas ilhas Cagarras, Palmas, Comprida e Redonda e as ilhotas Filhote da Cagarras e Filhote da Redonda, bem como a área marinha em um raio de 10m (dez metros) ao redor destas.

O passeio, com duração de até oito horas, será à bordo da embarcação Anitta e capitaneado pelo experiente biólogo marinho Alexandre Serrano e guiada por mim, Igor Camacho.

O passeio terá início no Iate Clube Jurujuba, em Niterói, às 7h, com opção de ponto de encontro no cais nobre da Marina da Glória, no Rio, às 7:30. A chegada na Marina da Glória é prevista para 15h e em Jurujuba às 15:30. Os horários de chegada podem ser antecipados caso haja mudança no clima que impossibilite uma navegação segura.

O roteiro completo pode ser acessado aqui:

MoNa das ilhas Cagarras (RJ)

O valor total do passeio é de 1400 reais, dividido pelo grupo de até sete participantes (200 reais por pessoa). Neste valor estão inclusos petiscos, frutas e água potável, além de importantes informações sobre a biologia das aves aquáticas existentes no MoNa.

As inscrições são feitas pelo email: camachornis@gmail.com

Vem observar mais que aves com a Canindé Birdwatching!

Birdwatching no MoNa das ilhas Cagarras, 01 de julho de 2017

Nesta data a Canindé Birdwatching realizou mais uma expedição pelágica para a observação de aves marinhas e os ninhais do tesourão e atobá-pardo protegidos pelo Monumento Natural (MoNa) das ilhas Cagarras, Rio de Janeiro. Desta vez estiveram presentes o Eduardo Rocha,  o fotógrafo de aves chileno Mario Ruiz-Tagle e mais cinco integrantes do Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro (COA-RJ): o presidente Alessandro Allegretti, o renomado fotógrafo de aves João Quental e os associados Angelica Fortes Aguas, João Luiz Quental e Ricardo Mitidieri!

Desta vez a previsão sobre o mar nos preocupou, pois uma frente fria chegaria no litoral do Rio entre o sábado e o domingo. Eram esperadas maior sinergia entre as ondas e nebulosidade, mas a baixa ondulação e o início das rajadas de ventos sul e sudoeste apenas para o meio dia, início do nosso retorno,  permitiram que a excursão acontecesse normalmente.

Dados obre as condições do mar no dia 1/07/2017 de acordo com a plataforma Windguru

Dados obre as condições do mar no dia 1/07/2017 de acordo com a plataforma Windguru

 

Rumo ao MoNa das ilhas Cagarras!

 

Vale lembrar que no dia 1° de julho de 2016 estávamos fazendo o piloto deste roteiro! O mar estava em condições similares e ainda sim foi bastante proveitoso. Além do esperado para o roteiro, vimos duas baleias-jubarte (Megaptera novaengliae) nas proximidades da ilha Redonda! Leiam como foi este dia aqui, na Caderneta.

Com o vento contra e navegando a seis nós (cerca de 11 km/h), seguimos com a embarcação Annita até a isóbata de cinquenta metros de profundidade a sudoeste da ilha Rasa, local apelidado por “auto-pista” pelos pesquisadores do projeto “Onde estão as baleias e golfinhos” após registrarem o intenso fluxo migratório de baleias-jubarte no ano passado.

 

Carta náutica de parte do litoral do Rio de Janeiro, com a marcação da isóbata de 50 metros de profundidade

Carta náutica de parte do litoral do Rio de Janeiro, com a marcação da isóbata de 50 metros de profundidade, no aplicativo Marine Navigator

 

Na cercania desta isóbata, há um ano, registramos alguns indivíduos de albatroz-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos) e em nossa última saída, observamos a migração de bobo-pequenos (Puffinus puffinus) para seus sítios reprodutivos, em ilhas ao norte do oceano Atlântico. Desta vez nenhuma destas aves pelágicas foram observadas, mas por surpresa nossa e a segunda vez este ano, observamos um grupo de seis golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) no entorno dos pesqueiros de arrastão.

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Deixamos o nosso ponto mais distal da costa e seguimos para a ilha Redonda e seu ninhal de tesourões. No caminho observamos bandos de “fragatas” (é assim que as chamamos aqui no Rio) caçando na laje conhecida como “Banco do Brasil”. Segundo os pescadores locais, esta laje ganhou o pseudônimo por ser um bom pesqueiro, pois “tem saque garantido”!

 

Laje Banco do Brasil

Fragatas na laje Banco do Brasil

 

Chegando na ilha Redonda, percebemos que o ninhal estava com mais aves no ninho do que em nossa saída anterior. Todos os machos com o saco gular inflado, advertindo que cada restrito e disputado espaço sobre as Clusia sp. estava ocupado e protegido. Para o Alessandro Alegretti, presidente do COA-RJ, conhecer o ninhal de tesourões, ave-símbolo do Clube, era um sonho de infância. “-Desde criança eu ia para a praia de Ipanema e olhava as ilhas Cagarras. Ficava imaginando como elas eram de perto e como eram os ninhais”, disse Alessandro.

 

Ninhos de tesourão sobre Clusia sp. na ilha Redonda

Ninhos de tesourão sobre Clusia sp. na ilha Redonda

 

O tamanho reduzido das ilhas e o isolamento estrutural do continente, contribuem para a escassez de material utilizável para a confecção de ninhos. Qualquer galho solto na vegetação, propício para a este fim, é um recurso disputado ferozmente.

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Coleta e competição entre machos jovens e adultos de tesourões (Fregata magnificens) por material para a confecção dos ninhos

 

Já na ilha Cagarras o ninhal de atobás também estava muito ativo, com os felpudos e simpáticos filhotes com as plúmulas brancas e as penas de voo (da asa e cauda) em desenvolvimento.

 

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Neste momento o tempo estava encoberto e já havíamos atingido o deadline dos ventos brandos. O capitão e biólogo marinho Alexandre Serrano reparou na mudança dos ventos e iniciou nosso regresso de vento em popa. Pelo caminho, arrastamos iscas artificiais sem anzóis para tentar atrair aves marinhas. Algumas jovens de tesourões e atobás seguiram as iscas e chegaram bem próximos da embarcação, proporcionando ótimos momentos!

 

 

Ressaltamos que as iscas artificiais estavam sem anzóis, pois a pesca marinha conhecida como espinhel ou palangre, é a principal ameaça para aves pelágicas como bobos, pardelas, petréis, albatrozes e outros Procellariiformes. Estas aves são fisgadas pelos anzóis, literalmente pescadas, ao tentarem capturar as iscas presas nos espinhéis. A isca artificial é empregada como uma das medidas mitigadoras ao impacto dos espinhéis sobre o grupo, segundo o Plano de Ação Nacional para a conservação de albatrozes e petréis, pois as aves ao capturar a isca e sentir que não é comestível, soltam-nas rapidamente. Contudo, são de pouca eficácia por não evitar a aproximação e engasgue nos anzóis. Uma das medidas mitigadoras mais utilizadas e que apresentam melhor resultado são os torilines, longos cabos com fitas coloridas, presos a um mastro fixado na popa da embarcação e arrastados sobre o espelho d’água , que possuem a função de espantar as aves pelágicas dos espinhéis. Portanto, utilizamos uma medida mitigadora pouco eficaz na proteção das aves, mas que pareceu funcionar muito bem para atraí-las!

No nosso caso vimos por vezes os tesourões bicando a linha e o atobá investindo nas iscas, mas sem nenhum sinal de enrolamento ou injúria, talvez pela ausência de anzóis, pelo tensionamento do cabo e pelo tamanho e rigidez das placas de latão que imitavam peixes. Esta perseguição dos tesourões e atobá à isca artificial permitiu que observássemos as fêmeas jovens de tesourão investindo sobre o jovem atobá-pardo, tentando roubar o suposto peixe capturado.

 

Fêmeas jovens de tesourão investindo sobre jovem de atobá-pardo durante perseguição a iscas artificiais

Fêmeas jovens de tesourão investindo sobre jovem de atobá-pardo durante perseguição a iscas artificiais

 

Digno de nota é que o PAN para a conservação de albatrozes e petréis cita que a pesca de redes tipo “arrastão” (bolsões de redes submersas, arrastados por barcos) também é causa de morte de Procellariiformes, pois estes são atraídos até a rede por remanescentes de pesca  e são  capturados ao tentar pegá-los quando as redes são lançadas. Com frequência em nossas saídas, vemos barcos de arrasto em águas mais profundas. Por ocorrer o albatroz-de-nariz-amarelo (espécie ameaçada de extinção e alvo de conservação pelo Plano de Ação) e estar na proximidade dos ninhais do MoNa das ilhas Cagarras, acreditamos que seria necessário verificar a prevalência de acidentes com as aves da localidade, para que sejam propostas medidas mitigadoras sobre a pesca, se necessário.

 

Barcos de arrasto nas proximidades do Mona Cagarras

Barcos de arrasto nas proximidades do Mona Cagarras

 

Com o vento em popa entramos na baía de Guanabara e ficamos sob o abrigo do maciço litorâneo, terminando nossa expedição pelágica! Só vamos ficar devendo a conclusão do churrasquinho para os amigos que ficaram na marina da Glória… Eu, o capitão e a Angélica tivemos que comer os aperitivos que sobraram até a chegada no Jurujuba Iate Clube. Que tarefa! 🙂

 

De dentro do barco, em sentido anti horário: o capitão Alexandre Serrano, João Quental, João Luis Quental, eu (Igor Camacho), Alessandro Alegretti, Eduardo Rocha, Angélica Fortes Águas, Ricardo Mitidieri e Mario Ruiz-Tagle na traineira Annita

De dentro da traineira Annita para fora, em sentido anti horário: o capitão Alexandre Serrano, João Quental, João Luiz Quental, eu (Igor Camacho), Alessandro Alegretti, Eduardo Rocha, Angélica Fortes Águas, Ricardo Mitidieri e Mario Ruiz-Tagle

 

Gostou? Quer participar do próximo Birdwatching no MoNa das ilhas Cagarras?

A próxima excursão será realizada no dia cinco de agosto! Garanta a sua vaga entrando em contato conosco pelo email camachornis@gmail.com . Já temos duas pessoas inscritas. Restam cinco vagas!

Observe mais que aves com a Canindé Birdwatching!

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Ai deu saudade!

No sábado, dia 10 de junho de 2017, fomos eu, Hudson Martins (amigo e guia da BirdsRio) e Marco Cruz (birder de Taubaté, SP) ao Pico da Caledônia, em Nova Friburgo, em busca da saudade-de-asa-cinza (Lipaugus conditus). Para quem não a conhece, a saudade-de-asa-cinza é uma espécie de cotingídeo (família dos pavós e anambés e cricriós) de cor verde-oliva, com as asas e cauda de cor azul petróleo e o porte de um sabiá. Alimenta-se preferencialmente de frutos e possui hábitos muito discretos, pois canta pouco e voa quase sempre sob a densa mata nebular (acima de 1700 metros de altitude). A saudade-de-asa-cinza está restrita às matas nebulares da Serra dos Órgãos, no estado do Rio de Janeiro. A distribuição restrita e a constante perda do seu habitat por incêndios e desmatamentos, faz com que a saudade-de-asa-cinza seja considerada como vulnerável a extinção não só no Rio de Janeiro, mas como no Brasil e no mundo.

Junto as peculiaridades específicas de Lipaugus conditus, a árdua tarefa de desbravar as cumeeiras da imponente cadeia montanhosa para ir ao seu encontro tornam cada encontro com a espécie digno de nota. Apesar de poder ser encontrada pontualmente entre as matas nebulares da Serra dos Órgãos, poucos são os acessos com maior segurança e “menor” esforço. O “menor” que digo, são os 30 a 40 minutos de subida por uma estrada irregular, muito íngreme e sinuosa, comparados com  a longa  travessia, de três dias, da Serra dos Órgãos.

Caledônia_10-06-2017

Mesmo que sabendo o “ponto” da asa-cinza, a maioria dos meus encontros (uns 60%) foram apenas auditivos. Poucas e rápidas foram as vezes em que eu a observei em condições favoráveis, ou seja, de perto e sem neblina. Mas as últimas aparições da espécie para birders conterrâneos me incitaram a investir no encontro. O Hudson e o Marco, que vieram de longe, já haviam se programado para tentar conquistar este lifer. Para mim, mais uma chance de ver esta enigmática espécie. Juntamos as forças e fomos em busca da saudade-de-asa-cinza. Mal sabíamos o que estava por vir…

Chegamos até o último ponto seguro de parar o carro pouco antes das sete da manhã e, de lá, iniciamos a nossa “investida” à cereja do bolo da Serra dos Órgãos. Entre a neblina começamos a perceber o ambiente e notamos que a floresta estava quase que toda frutificada! Muitas árvores continham flores e frutos em seus ramos, principalmente as melastomatáceaes (as quaresmeiras). Os sanhaços-frade (Stephanophorus diadematus) e as saíras-lagarta (Tangara desmaresti) estavam muito ativas e a todo instante ficavam na nossa frente se alimentando dos frutinhos.

Saíra-douradinha

Saíra-lagarta na quaresmeira

Entre os bandos de frugívoros, porém não associado, ouvimos o canto fino e curto da saudade-de-asa-cinza a poucos metros de nós. A perna treme, a espinha arrepia e o playback se enterra cada vez mais no âmago de onde quer que ele estivesse, o que é de práxis nesses momentos de tensão! Após conseguir resgatar o famigerado equipamento, bastou apenas um simples toque do canto da saudade-de-asa-cinza para que ela chegasse muito perto, não permitindo que nossas lentes focassem! O comportamento arisco do bicho não possibilitou uma segunda chance e ele voou sob a vegetação.

Continuamos nossa caminhada e chegamos em outro ponto, maaaaais pra cima, que eu já havia visto o bicho. Neste lugar mais amplo, era possível ouvir a asa-cinza cantando de lados diferentes dos vales do entorno. Mas uma vocalização, talvez duas, estavam mais próximas. Subimos mais um pouco e ficamos próximos da origem do canto e constatamos que havia mais de um indivíduo no mesmo local! Tentamos atraí-los com o playback, mas sem sucesso.

Neste momento a curiosidade ornitológica “bateu forte” em mim e decidi tentar andar um pouco na íngreme mata de encosta.

Descendo pouco mais de dois metros, fiquei sob a densa mata nebular e comecei a buscar por uma ave verde, que quase não se mexe, pousada entre folhas… verdes… Estava muito difícil de discernir os diferentes tons de verde em baixa luz, o que me fez desviar a percepção da paisagem para a audição.  Passei ouvir grunhidos que lembravam por momentos o ranger de galhos e por outros as vozes do caneleiro (Pachyramphus castaneus), entremeadas pelo canto estridente da asa-cinza, o que direcionaram minha visão para o tão esperado momento. “- Achei!”

Saudade-de-asa-cinza

Saudade-de-asa-cinza

Agora que o momento digno de nota, que a mágica de todo este relato acontece: após distinguir um ponto verde “cantante” entre os demais, convidei os amigos para compartilhar o pouco espaço plano que tinha disponível. De lá, a menos de quatro metros de nós, observamos por alguns minutos três indivíduos de L. conditus fazendo o display de abrir sutilmente as asas e caudas entre os ligeiros e curtos voos sob a cerrada copa dos arbustos, entremeadas por manifestações sonoras que eu jamais havia ouvido. De acordo com o amigo ornitólogo Rafael Bessa, que já estudou a espécie, o raro comportamento descrito acima trata-se do lek da saudade-de-asa-cinza, onde os machos da espécie se reúnem em pequenos grupos e se exibirem para as fêmeas. Independente da raridade, este momento ficará na memória dos três, sem dúvidas!

O vídeo abaixo mostra um pouco do que observamos, além de elucidar o canto da saudade-de-asa-cinza.

Com a missão mais que cumprida, deixamos o pico da Caledônia por volta das 11:30, muito satisfeitos! E como se já não bastasse o êxtase, a saudade (Lipaugus ater) também resolveu aparecer enquanto descíamos.

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Para descrever o dia de hoje não há melhor estrofe que o refrão do canto popular “ABC do preguiçoso”, interpretado pelo grande violeiro baiano que admiro muito, o Xangai: -ai deu saudade… Este dia deixará saudades. E em todos os sentidos!

Quer ter a oportunidade de ver a saudade-de-asa-cinza? Temos duas vagas disponíveis para a próxima Birding Tour Serra dos Órgãos, que acontecerá entre os dias 23 e 25 de junho! Saibam mais sobre a Tour na Caderneta da Canindé, clicando aqui neste link.

Observe mais que aves!

Chamada para o Birdwatching no MoNa das ilhas Cagarras, 1° de julho de 2017

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Estão abertas as inscrições para a próxima saída offshore da Canindé Birdwatching ao Monumento Natural (MoNa) das ilhas Cagarras, no município do Rio de Janeiro, RJ, que será realizada no dia 01/07/2017.

O Monumento Natural (MoNa) das Ilhas Cagarras é uma unidade de conservação de proteção integral (Lei 12.229/10), situada à 5 km da orla da praia de Ipanema, no município do Rio de Janeiro. O MoNa é composto pelas ilhas Cagarras, Palmas, Comprida e Redonda e as ilhotas Filhote da Cagarras e Filhote da Redonda, bem como a área marinha em um raio de 10m (dez metros) ao redor destas.

O passeio, com duração de até oito horas, será à bordo da embarcação Anitta e capitaneado pelo experiente biólogo marinho Alexandre Serrano e guiada por mim, Igor Camacho.

O passeio terá início no Iate Clube Jurujuba, em Niterói, às 7h, com opção de ponto de encontro no cais nobre da Marina da Glória, no Rio, às 7:30. A chegada na Marina da Glória é prevista para 15h e em Jurujuba às 15:30. Os horários de chegada podem ser antecipados caso haja mudança no clima que impossibilite uma navegação segura.

O roteiro completo pode ser acessado aqui:

MoNa das ilhas Cagarras (RJ)

O valor total do passeio é de 1400 reais, dividido pelo grupo de até sete participantes (200 reais por pessoa). Neste valor estão inclusos: frutas, água potável e um delicioso churrasco, além de importantes informações sobre a biologia das aves aquáticas existentes no MoNa.

Birdwatching no MoNa das ilhas Cagarras, 27/05/2017

Na manhã de sábado, dia 27 de maio de 2017, aconteceu nossa saída pelágica Birdwatching no Monumento Natural (MoNa) das ilhas Cagarras, entre a costa dos municípios de Niterói e Rio de Janeiro. Estivemos monitorando as condições climáticas desde duas semanas antes e só com a certeza do clima estável que confirmamos nossa saída. Valeu Windguru!!!

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A embarcação Anitta, capitaneada pelo experiente biólogo marinho Alexandre Serrano, partiu do cais do Jurujuba Iate Clube (com um pouco de atraso, confessamos) às 7:15 da manhã, já com a presença da birder Beatriz Blauth. Atravessamos a baía de Guanabara e chegamos na Marina da Glória para que embarcassem Felipe Barreto, Elaine Pereira, Vítor Saraiva, Maria Luiza, Bianca Vilardo e seu pai, o Roberto Guimas.  Equipe completa, iniciamos a expedição off shore.

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No caminho entre a Glória e o Forte da Lage, atobás-pardos (Sula leucogaster) e trinta-réis (Sterna sp e Thalasseus acuflavidus) cruzavam a embarcação rumo aos fundos da baía de Guanabara.

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Após passarmos pela ilha de Cotunduba, nos deparamos com cinco fêmeas jovens de tesourão (Fregata magnificens) repassando algum objeto flutuante em acrobacias fantásticas!

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É provável que as tesourões estejam treinando o cleptoparasitismo, pois esta habilidade de pegar coisas no ar pode ajudar na captura dos peixes regurgitados por aves em voo, como trinta-réis e atobás, enquanto  os perseguem e acertam com fortes bicadas. Digno de atenção foi, logo após a saída da baía de Guanabara,  a observação de dois “pequenos torpedos” voando sobre a lâmina d’água. Tentei alertar aos integrantes do grupo para garantir o registro fotográfico, mas perdemos nosso alvo de vista. Bem, fica para a próxima…

Neste momento iniciamos um experimento para a atração de aves pelágicas. Enchemos um saco de malha plástica com sardinhas e uma garrafa pet (esta para o saco flutuar) e o arrastamos por quilômetros para que formasse um rastro de odor de peixe por onde passávamos e chamasse a atenção das aves pelágicas.  Aves como albatrozes, pardelas e petréis (Ordem Procellariiforme) orientam-se muito bem pelo olfato e seguem barcos pesqueiros atraídas pelo descarte e lastro de odor dos óleos dos peixes abatidos. Infelizmente muitas espécies deste grupo são mortas ao se engasgarem com os anzóis e linhas dos espinhéis, técnica de pesca marinha.

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Seguimos “fedendo a peixe” para o alto mar, na direção sul, até a cercania da ilha Rasa, a cerca de 9km da costa. Lá encontramos mais um casal de piru-piru (Haematopus palliatus) na na faixa entre marés da margem da ilha.

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Após contornar a ilha Rasa e rumar para 15km da costa, tivemos a ilustre visita de cinco golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) que por muita curiosidade, intrínseca à espécie, se aproximou muito do barco, permitindo poucas fotografias. Os golfinhos preferem presas vivas e o lastro de peixe talvez não tenha interferido, de acordo com a experiente cetóloga e amiga Liliane Lodi. Neste momento, o exímio capitão diminuiu a rotação do motor da embarcação para evitar o choque da hélice nos golfinhos. Por sorte a atenta Elaine Pereira capturou ótimos momentos! Falando em visita ilustre, o capitão nos atentou que já conhecia o Guimas e sabia de onde: do filme A caçada ao Outubro Vermelho. A semelhança entre o Guimas e Sean Conneray não passou despercebida pelo querido amigo, o capitão-baleia… Aí teve que soltar uma brincadeira! Momentos de risos contagiantes, embarcados na Anitta…

O ponto mais longe desta saída foi a 20km da costa. Reduzimos a velocidade da embarcação e enfim, a próxima oportunidade, perdida há horas atrás, veio à tona! Os “mísseis foram capt(ur)ados”! Fotografamos bandos de 3 a 9 pequenas aves que voavam rapidamente sobre a lâmina d’água em direção leste, sem nenhuma intenção aparente de parar seu voo. Algumas poucas fotos deste momento revelaram, dias após, que eram bandos do bobo-pequeno (Puffinus puffinus)! Segundo o experiente ornitólogo Fábio Olmos, estes indivíduos seriam os bandos finais de bobos na migração de volta para o Atlântico Norte, onde reproduzem. Outras aves do gênero Calonectris e a pardela-de-asa-larga (Puffinus iherminieri) poderiam estar juntas, mas a velocidade e dispersão dos bandos impossibilitou melhores registros. Bem, fica para uma próxima.

E que as aves venham com menos pressa. Só não demorem pra chegar!

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A partir deste momento, ainda em dúvidas quanto ao Objeto Voador Não Identificado (OVNI), seguimos para a ilha Redonda, onde está o segundo maior ninhal de tesourões do Brasil. E entre maio e julho os ninhais estão em seu pico de atividade! Qualquer galho, moita ou platô no solo, passíveis de serem ocupados, estavam com ninhos de tesourão e, em menor quantidade, de atobás.

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A ilha Cagarra, dona do nome do arquipélago e da Unidade de Conservação MoNa das ilhas Cagarras estava com muitos ninhos ativos de atobás. Os gaivotões (Larus dominicanus) também se reproduzem nas ilhas, mas não foram observados ninhos. Talvez por conta do menor tamanho, por estarem mais escondidos entre a vegetação e pelo comportamento do filhote em ficar escondido entre as moitas de gramíneas. Nas águas calmas entre as ilhas do arquipélago, iniciamos o churrasquinho que degustaríamos na volta.

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No caminho, é claro, mais aves! Tesourão de um lado, atobás do outro… O céu e o mar estavam bonitos de se ver!

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Já na “boca da barra”, entre a ilha de Cotunduba, Forte da Lage e o morro Pão de Açúcar, observamos trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) e os de-bando (Thalasseus acuflavidus) pescando.

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Chegamos na Marina da Glória às 15:30 com sorrisos de encher um oceano de felicidade! A Bia Blauth ainda provou mais meia hora de retorno à Jurujuba.

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Gostou? Quer participar da próxima aventura off shore? Garanta sua vaga para o próximo Birdwatching no MoNa das ilhas Cagarras, que está previsto para acontecer no próximo dia 1° de julho. As inscrições já estão abertas e três pessoas confirmaram presença!

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Venham observar mais que aves com a Canindé Birdwatching!

Chamada para a Birding Tour Serra dos Órgãos

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Salve salve!

A Canindé Birdwatching, em parceria com a Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), faz a chamada para a Birding Tour Serra dos Órgãos (vertente leste) que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de junho, sendo duas noites e dois dias intensos de birding. Este roteiro foi elaborado para abranger o maior número de espécies endêmicas da Mata Atlântica (inclusive a saudade-de-asa-cinza) no menor espaço de tempo (um final de semana)!

O roteiro é:

23/06:

Chegada na REGUA por volta das 19h. O translado é opcional;

Jantar às 20h;

Corujada após o jantar.

ESPÉCIES-DESTAQUE: coruja-preta, coruja-do-mato, narcejão, mãe-da-lua e mãe-da-lua-parda.

24/06:

Café da manhã às 6am;

Birding nas florestas de baixa altitude, submontana e alagados da REGUA, em Cachoeiras de Macacu;

Almoço às 13h;

Mais birding;

Jantar às 19h;

Corujada (opcional).

ESPÉCIES-DESTAQUE: nos ALAGADOS, o biguatinga, o arapapá, o pato-do-mato, a garça-real, a sanã-castanha, o gavião-pombo-pequeno, o bico-virado-miúdo, a saíra-de-chapéu-preto, saíra-galega e o tiê-sangue. A saí-de-pernas-pretas pode ser observada entre janeiro e junho em bandos mistos com a saí-azul, figurinha-de-rabo-castanho, saíra-de-chapéu-preto e os gaturamo-verdadeiro e fim-fim.

Nas TRILHAS no interior da floresta, o apuim-de-cauda-amarela, a tiriba-de-testa-vermelha, a araponga, o tangará e o tangarazinho, o pintadinho, a choquinha-de-garganta-pintada, o barranqueiro-de-olho-branco, o limpa-folha-de-testa-baia, o capitão-de-saíra, abre-asa-de-cabeça-cinza, vira-folhas, o barbudo-rajado, o cuspidor-de-máscara-preta, a cigarra-verdadeira, o furriel, a cambada-de-chaves, e muitas outras saíras podem ser encontradas. O chibante, espécie vulnerável a extinção e endêmica da Mata Atlântica é um dos principais atrativos deste destino.

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Café da manhã às 5am;

Birding nas florestas montana e nebular de Nova Friburgo;

Lanche de campo (dois sanduíches e uma fruta);

Mais birding;

Chegada na REGUA até as 16h;

Check out.

ESPÉCIES-DESTAQUE: O gavião-pato, o beija-flor-de-topete, a tovaca-de-rabo-vermelho, o matracão, a borralha-assobiadora, a choquinha-de-bertoni e a choquinha-carijó, o estalinho, a borboletinha-do-mato, o fruxu, o peito-pinhão, o tapaculo-preto, o sanhaço-frade, a tesourinha-da-mata, a saíra-lagarta e a saudade são algumas das espécies que podem ser encontradas neste destino. Destaque para a saudade-de-asa-cinza, espécie endêmica da Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro e Vulnerável à extinção pela perda de habitat.

Confiram como foram as últimas Birding Tours Serra dos Órgãos:

Gostou? Vem observar aves com a Canindé Birdwatching!

Chamada para o birdwatching offshore no MoNa das ilhas Cagarras

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Estão abertas as inscrições para a próxima saída offshore da Canindé Birdwatching ao Monumento Natural (MoNa) das ilhas Cagarras, no município do Rio de Janeiro, RJ, que será realizada no dia 27/05/2017.

O Monumento Natural (MoNa) das Ilhas Cagarras é uma unidade de conservação de proteção integral (Lei 12.229/10), situada à 5 km da orla da praia de Ipanema, no município do Rio de Janeiro. O MoNa é composto pelas ilhas Cagarras, Palmas, Comprida e Redonda e as ilhotas Filhote da Cagarras e Filhote da Redonda, bem como a área marinha em um raio de 10m (dez metros) ao redor destas.

O passeio, com duração de até oito horas, será à bordo da embarcação Anitta e capitaneado pelo experiente biólogo marinho Alexandre Serrano e guiada por mim, Igor Camacho.

O passeio terá início no Iate Clube Jurujuba, em Niterói, às 7h, com opção de ponto de encontro no cais nobre da Marina da Glória, no Rio, às 7:30. A chegada na Marina da Glória é prevista para 15h e em Jurujuba às 15:30. Os horários de chegada podem ser antecipados caso haja mudança no clima que impossibilite uma navegação segura.

O valor total do passeio é de 1280 reais, dividido pelo grupo de até oito participantes (160 reais por pessoa). Neste valor estão inclusos: frutas, água potável e um delicioso churrasco, além de importantes informações sobre a biologia das aves aquáticas existentes no MoNa.

Carnabirding, 26/02/2017

Antes tarde do que nunca a Canindé divulga o sucesso do roteiro Carnabirding 2017, realizado no dia 26/02, que contou com a participação dos birders Fábio Giordano, de MG e a Beatriz Blaut do RJ.

O roteiro foi executado nas cidades litorâneas de Búzios, Cabo Frio e Saquarema. Iniciamos nossa jornada nas salinas de Cabo Frio onde fomos em busca das aves limícolas migratórias (maçaricos, batuíras e afins) e aquáticas. E é claro que encontramos muitas, dentre elas um bando de talha-mar (Rynchops niger), garça-azul (Egretta caerulea), batuíra-de-bando (Charadrius semipalmatus) e maçarico-pintado (Actitis macularius). Para a felicidade de todos, inclusive do guia, encontramos dois indivíduos de maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus) predando crustáceos na orla da cidade!

Maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus)

Maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus) predando caranguejo

Maçarico-de-bico-torto predando caranguejo

Após o encontro desse imponente maçarico, seguimos para outra salina em busca de mais aves. Neste ponto encontramos o falcão-peregrino (Falco peregrinus), que fugiu de nossas lentes, batuiruçu-de-axila-preta (Pluvialis squartarola), gaivota-de-cabeça-cinza (Chroicocephalus cirrocephalus) e mais uma surpresa: o maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), mais um lifer para os birders e para o guia! Mas o destaque desse local foi a saracura-matraca (Rallus longirostris) que literalmente desfilou em nossa frente!

Maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica)

Maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica)

Saracura-matraca (Rallus longirostris) desfilando para nós

Saracura-matraca (Rallus longirostris) desfilando para nós

Após essa overdose de sensações, seguimos para os alagados de Búzios em busca de mais aves. E é claro que conseguimos muitas, dentre elas o socó-boi-baio (Botaurus pinnatus), o gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis) e o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus). E mesmo com o litoral repleto de pessoas, observamos um bando numeroso de vira-pedras (Arenaira interpres). Em Búzios também foi o nosso “pit stop” para almoçar.

Vira-pedras (Arenaria interpres)

Após o almoço seguimos para a serra de Saquarema em busca de aves florestais, principalmente do rabo-branco-mirim (Phaethornis idaliae), lifer para os birders. E bingo! Encontramos este precioso endemismo da Mata Atlântica! Na mesma localidade, em um quintal extremamente florido, observamos muitas outras espécies de beija-flor como o rabo-branco-rubro (Phaethornis ruber), beija-flor-preto (Florisuga fusca) e o beija-flor-de-garganta-verde (Amazilia fimbriata). Outras aves típicas das florestas de baixa altitude do leste do Brasil foram observadas, como o cuspidor-de-máscara-preta (Conopophaga melanops), abre-asa (Mionectes oleagineus) e a simpática choca-de-sooretama (Thamnophilus ambiguus). Desta vez dispensamos ir em busca do com-com (Formicivora littoralis), pois ambos os birders  já haviam visto este ameaçado endemismo das restingas da Costa do Sol.

Com aquele cansaço gostoso, de deixar um sincero e feliz sorriso estampado em nossas faces, finalizamos o roteiro com 95 espécies observadas! Digno de nota foi o “sincronismo” que tivemos com os outros turistas das cidades: sempre estávamos dirigindo no fluxo contrário ao deles, nadando livremente “contra a maré” das intermináveis filas de carros que dirigiam-se para as praias no carnaval.

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Aqui está a lista unificada com as aves observadas nos três municípios.

Gostou do roteiro? Quer fazê-lo por inteiro ou quer ver alguma das aves em especial? Venha observar mais que aves com a Canindé!

CARNABIRDING 2017 na Costa do Sol

Salve salve, amigos da Canindé!

Caso vocês venham para a Costa do Sol no Rio de Janeiro, principalmente em Cabo Frio, Búzios, Araruama, Saquarema e Maricá, e queiram fugir da folia e observar aves, venham para o CARNABIRDING da Canindé! Elaboramos um roteiro que contempla desde as serras de Saquarema até os alagados de Búzios, evitando o “fervor” do centro das cidades.

O roteiro terá início nas salinas de Cabo Frio e em seguida iremos para s alagados de Búzios. Após a pausa para o almoço, iremos para a restinga e alagados de Saquarema e em seguida para a floresta. O final do roteiro será nos alagados de Maricá.

Na restinga e alagados litorâneos, as espécies em destaque são o com-com (ou formigueiro-do-litoral), papa-formiga-vermelho, sabiá-da-praia, figuinha-do-mangue, beija-flor-de-bico-curvo, gaivota-de-cabeça-cinza, savacu-de-coroa, saracura-matraca, trinta-réis-anão, trinta-réis-real, trinta-réis-de-bando, maçarico-de-colete, batuiruçu, vira-pedras, batuíra-de-bando, talha-mar e muitas outras aves limícolas migratórias! Já nas florestas de Saquarema, as espécies em destaque são as típicas das florestas de baixa altitude da Mata Atlântica do leste do Brasil, como o gavião-pega-macaco, rabo-branco-mirim, beija-flor-rajado, cuspidor-de-máscara-preta, miudinho, tiê-do-mato-grosso, choquinha-de-garganta-pintada, saíra-sete-cores e a bela cambada-de-chaves.

Para mais informações, entre em contato conosco:

21-998-975-569 ou camachornis@gmail.com

Venham para o CARNABIRDING da Canindé!